Performance não deveria ter prazo de validade. Mas, na prática, o corpo cobra quando ignoramos isso.
Em “Play On: The Science of Elite Performance at Any Age”, Jeff Bercovici mostra como atletas de elite estão prolongando suas carreiras ao tratar o corpo de forma mais inteligente. O foco deixa de ser apenas intensidade e passa a incluir recuperação, prevenção de lesões e consistência ao longo do tempo. O livro explora temas como cross training, mobilidade e prevenção de lesões, nutrição avançada e sono como pilares da longevidade esportiva. A ideia central é clara: não é sobre treinar mais, mas treinar melhor por mais tempo.
Alguns desses pontos estão muito alinhados com a minha experiência.
Mobilidade e estabilidade: aprendi da forma mais difícil. Parei o triathlon por um encurtamento no trato iliotibial, inicialmente confundido com lesão na coluna. Depois, passei anos corrigindo um encurtamento no quadril que acabou gerando outra lesão, no poplíteo, por pedalar desalinhado. Hoje faço duas sessões semanais focadas nisso e evito levar articulações complexas ao extremo.
Nutrição personalizada: minha dieta é a “dieta do Gustavo”. Após um teste genético, ajustei a ingestão para mais gorduras e menos carboidratos e finalmente atingi saúde metabólica. Nem treinando mais de 20 horas por semana para o Ironman eu tinha conseguido isso antes. Também excluí alimentos que tenho intolerância, como leite e ovos.
Sono e recuperação: sempre tive dificuldade para dormir. Quando comecei a monitorar, aumentei mais de uma hora de sono por noite. Isso impactou diretamente minha disposição e composição corporal. Hoje não janto, porque sei o quanto isso piora meu sono. Também faço sessões de sauna perto da hora de dormir, o que ajuda a adormecer. Já fiz sessões pontuais de imersão em baixa temperatura e observei melhora de 10% a 15% na recuperação durante os treinos.
Alta performance com longevidade não é pico. É uma construção contínua.
Até o próximo livro na cesta.