Nem sempre a influência dos pais leva os filhos para o mesmo caminho. Mas quase sempre deixa alguma marca.
Em “Open”, Andre Agassi conta como seu pai, um ex-boxeador iraniano, o obrigou a treinar tênis desde a infância. Apesar de se tornar uma lenda do esporte e conquistar nove títulos de Grand Slam, Agassi revela que passou boa parte da vida odiando jogar. O livro mostra como talento, disciplina e pressão familiar podem conviver de forma contraditória.
Meu pai é apaixonado por futebol. Esteve na Copa de 1970, no México, e viu o Brasil conquistar o tricampeonato ao vivo. Quando eu era criança, ouvi inúmeras vezes as narrações daqueles jogos em um disco de vinil. Em casa também havia recortes de jornal das conquistas de 1958 e 1962.
Para desespero dele, eu nunca consegui jogar futebol. Na verdade, nunca consegui jogar bem nenhum esporte com bola. Minha habilidade era tão limitada que mal acertava um chute no gol.
Sem muitas alternativas, fui para o Karatê. Aos 14 anos, comecei a correr para ganhar condicionamento físico. O que era complemento virou hábito. Mais tarde, encontrei no Triathlon um desafio ainda maior.
Pratiquei Triathlon competitivo por mais de dez anos. Não tinha aptidão natural para nenhuma das três modalidades e aprendi a nadar já adulto. Mesmo assim, com disciplina e consistência, completei um Ironman e subi ao pódio na minha última competição. No início dessa jornada, meu pai acompanhou algumas provas e nos divertimos muito juntos.
Fui o exemplo de que Deus escreve certo por linhas tortas. Por incompetência, me tornei um triatleta competente.
Mas só consegui entender isso depois da jornada.
Até o próximo livro na cesta.