Bem-vindos à edição de julho de 2026: 803 palavras – 2.9 min.
A corrida não é, necessariamente, um esporte para todo mundo. A habilidade de um atleta é tão incrível que a ciência custa a explicá-la. O que determina o sucesso de um time de elite não são apenas as capacidades físicas e mentais, mas os princípios de liderança e a cultura.
1 – Artigo do mês: A corrida não é, necessariamente, um esporte para todo mundo.
Correr é simples. Continuar correndo sem se machucar já não é tão simples assim.
A corrida é uma modalidade extremamente democrática. Basta um tênis, ou nem isso, e vontade de começar. Não por acaso, o número de competições no Brasil aumentou 85% em 2025, segundo dados divulgados pela Carta Capital no início de 2026.
No livro “Este Livro Não É Sobre Corrida”, Raquel Castanharo usa a corrida como ponto de partida para discutir algo muito maior: biomecânica, fortalecimento, mobilidade, recuperação e adaptação individual. Mais do que ensinar a correr melhor, o livro reforça uma ideia importante: não existe uma fórmula universal. Embora o corpo humano tenha sido feito para correr, o que funciona para uma pessoa pode gerar lesão em outra.
Comecei a correr aos 14 anos para ganhar condicionamento físico no Karatê. O que começou como complemento virou hábito. Mais tarde, quando migrei para o Triathlon, a corrida passou a ocupar um papel ainda mais importante na minha rotina.
Ao longo de mais de 12 anos competindo, tive sete lesões relevantes. Cinco delas começaram justamente na corrida (vide imagem). A última marcou o fim da minha trajetória competitiva no Triathlon.
Durante os treinos para minha última competição, comecei a sentir uma dormência na perna esquerda que irradiava do glúteo até a lombar. Parei de nadar, pedalar e correr. Fiz muita fisioterapia para tratar um suposto problema na coluna. Melhorei, mas nunca completamente.
Anos depois, já afastado das competições, descobri que o diagnóstico estava errado. Na verdade, eu tinha um encurtamento do trato iliotibial esquerdo, uma condição bastante comum entre corredores. Bastaram exercícios específicos de liberação para que eu me recuperasse completamente.
Hoje entendo que a corrida reúne três fatores difíceis de equilibrar: impacto, repetição e assimetria. Somos naturalmente imperfeitos. Pequenos desalinhamentos, encurtamentos ou desequilíbrios acabam sendo amplificados ao longo de milhares de passadas.
Atualmente, prefiro fazer minha atividade aeróbica na bicicleta. Claro que isso não elimina o risco de lesão, mas, na minha experiência, reduziu bastante a incidência.
Também aprendi que o custo-benefício do esporte é individual. Para algumas pessoas, correr longas distâncias funciona muito bem. Para outras, distâncias menores, mais fortalecimento ou alternância com ciclismo, natação ou outras modalidades talvez faça mais sentido.
Mais importante do que seguir uma planilha perfeita é entender como seu corpo responde à carga. Na dúvida, seja conservador.
No final, o importante é não ignorar os sinais do corpo, evitando transformar a saúde em desgaste.

Quadro de lesões
2 – Achado da Internet
Aproveitando o embalo da Copa do Mundo de 2026…
Roberto Carlos é considerado por muitos o melhor lateral esquerdo de todos os tempos. Uma das suas marcas registradas era a trivela: um chute com a parte de fora do pé esquerdo que, aliado à força, imprimia uma curva impressionante à bola.
No amistoso entre Brasil e França, em 1997, ele marcou um dos gols de falta mais famosos da história. A trajetória da bola foi tão incomum que cientistas levaram mais de dez anos para explicar o fenômeno à luz das leis da Física.
O mais interessante é que, muitas vezes, o desempenho extraordinário aparece antes da explicação científica. A habilidade de alguns atletas desafia, por algum tempo, aquilo que acreditamos compreender sobre o corpo humano e a própria natureza.
3 – O que estou lendo
Assumir responsabilidade integral pelos resultados parece um princípio simples. Na prática, talvez seja uma das atitudes mais difíceis para qualquer líder.
Em uma das unidades militares mais exigentes do mundo, os candidatos enfrentam cinco dias de treinamento extremo dormindo apenas algumas horas ao longo de todo o período. Não por acaso, mais de 70% desistem antes do fim.
Mas o que realmente diferencia esse grupo não é apenas a preparação física ou mental. É uma cultura construída sobre princípios claros: assumir responsabilidade pelos resultados, eliminar desculpas, evitar a transferência de culpa e simplificar problemas complexos para facilitar a execução.
São princípios desenvolvidos em um ambiente extremo, mas que ajudam a explicar por que algumas equipes conseguem manter desempenho consistente mesmo sob enorme pressão.
