Junho 2026 – Esse livro não é sobre corrida

Correr é simples. Continuar correndo sem se machucar já não é tão simples assim.

A corrida é uma modalidade extremamente democrática. Basta um tênis, ou nem isso, e vontade de começar. Não por acaso, o número de competições no Brasil aumentou 85% em 2025, segundo dados divulgados pela Carta Capital no início de 2026.

Em “Este Livro Não É Sobre Corrida”,@Raquel Castanharo usa a corrida como ponto de partida para discutir algo maior: biomecânica, fortalecimento, mobilidade, recuperação e adaptação individual. O livro desmonta a ideia de que correr é apenas colocar um pé na frente do outro. Mostra que o corpo precisa suportar impacto, repetição e carga acumulada. E reforça um ponto importante: não existe fórmula universal. Embora o corpo humano tenha sido feito para correr, o que funciona para uma pessoa pode gerar lesão em outra.

Comecei a correr aos 14 anos, junto com meu grande amigo @Isaac Marcondes, para ganhar condicionamento no Karatê. Depois, a corrida virou um hábito que me acompanhou em diferentes fases da vida. Quando comecei no Triathlon, ela voltou com ainda mais intensidade.

Ao longo de mais de 12 anos competindo, tive sete lesões relevantes. Cinco delas começaram justamente na corrida, inclusive a última, que foi confundida com outra coisa e me fez parar com o Triathlon.

Hoje entendo que isso provavelmente acontece porque a corrida combina três fatores difíceis de equilibrar: impacto, repetição e assimetria. Somos “tortos” por natureza. Pequenos desalinhamentos, encurtamentos ou desequilíbrios acabam sendo amplificados ao longo de milhares de passadas.

Atualmente, prefiro fazer minha atividade aeróbica na bike. Claro que isso não elimina risco de lesão, mas, na minha experiência, reduziu bastante a incidência.

Também aprendi que o custo-benefício do esporte é individual. Para algumas pessoas, correr longas distâncias funciona muito bem. Para outras, distâncias menores, mais fortalecimento ou alternância com ciclismo e natação talvez façam mais sentido.

Mais importante do que seguir uma planilha perfeita é entender como seu corpo responde à carga. Na dúvida, seja sempre conservador.

Ignorar sinais do corpo transforma saúde em desgaste.

Até o próximo livro na cesta.