Bem-vindos a edição de junho de 2026: 780 palavras – 2.8 min.
A dieta mais adequada talvez seja a sua, não a do coleguinha. Um corredor de 81 anos possui um VO2 máximo que rivaliza com atletas décadas mais jovens. Talvez a humanidade só tenha conseguido evoluir quando aprendeu a trocar oráculos por probabilidades.
1 – Artigo do mês: A dieta mais adequada é a sua, não a do coleguinha
Recentemente, durante um evento, me perguntaram: que dieta você segue? Eu respondi: a dieta do Gustavo.
Gerenciar o peso sempre foi um desafio para mim. Fiz minha primeira dieta aos 15 anos, tentando perder peso para uma competição de karatê. Me lembro bem das tabelas de calorias dos alimentos usadas para compor as refeições. E emagreci.
Aliás, emagrecer foi uma das motivações para eu praticar Triathlon. Eu acreditava que, fazendo muito mais exercício, ganharia a briga contra a balança.
Mas não foi isso que aconteceu.
Nem treinando mais de 20 horas por semana para o Ironman eu conseguia atingir um estado metabólico saudável. Meu corpo não conseguia lidar bem com o consumo teoricamente adequado de carboidratos. Após um teste genético, descobri que metabolizo melhor gordura do que carboidrato.
Ao longo da vida experimentei muitas das dietas existentes: 13 dias (fiquei doente com essa), ponto Z, vegana, vegetariana, cetogênica, low carb e carnívora.
Atualmente, minha rotina nutricional acomoda minhas restrições e objetivos específicos. E ela finalmente me ajudou a ganhar a briga contra a balança.
A – Alimentos que não consumo
Intolerâncias ou deficiências
Não consumo alimentos para os quais possuo intolerância imunológica ou deficiência metabólica genética, comprovadas por exames específicos.
Exemplos: leite de vaca, iogurte, ovos, castanha de caju, pistache, trigo, café e cafeína.
Desconforto
Também evito alimentos que causam desconforto digestivo, fermentação excessiva ou simplesmente não me fazem bem.
Exemplos: vegetais verde-escuros, crucíferas, leguminosas, alho e cebola crus e pimentão.
Potencial malefício para a saúde
Conscientemente, evito alimentos ultraprocessados ou artificiais, a menos que eu leia o rótulo e aprove os ingredientes. Aliás, quanto menos ingredientes, menor a chance de existir algo problemático.
Álcool é um disruptor importante do sono e prefiro otimizar o meu.
Exemplos: gordura vegetal hidrogenada, margarina, adoçantes, conservantes, corantes artificiais e álcool.
B – Alimentos que consumo
Proteínas
Priorizo fontes animais mais magras e complemento a ingestão proteica com suplementos de origem vegetal ou de carne, já que não consumo whey protein por causa da intolerância ao leite.
Exemplos: frango, peixes, camarão, carne bovina, tofu, suplementos proteicos vegetais e de carne.
Gorduras
Priorizo gorduras mono e polinsaturadas e suplemento ômega 3. Despriorizo fontes mais ricas em gordura saturada.
Exemplos: azeite de oliva, abacate, noz-pecan, macadâmia, óleo de gergelim e ômega 3.
Carboidratos
Priorizo frutas para também aumentar o aporte de fibras e micronutrientes. Tento ingerir a maior variedade possível.
Exemplos: frutas vermelhas, raízes, batata-doce roxa e pães artesanais sem trigo e sem conservantes.
Fibras
Suplemento Psyllium diariamente para compensar meu menor consumo de fibras por evitar alguns vegetais e leguminosas. Isso também ajuda no controle do colesterol.
C – Outras práticas
Tipo de alimentos
Consumo alimentos orgânicos sempre que possível.
Açúcar
Como doces quando acho que realmente vale a pena. Com tantas restrições, normalmente sobram os doces à base de frutas. Quase sempre consumo como sobremesa.
Frequência alimentar
Faço duas refeições por dia: café da manhã e almoço. Nunca janto. Além de ajudar a controlar a quantidade ingerida, isso melhora significativamente meu sono.
Distribuição de macronutrientes
Priorizo o aporte proteico diário. Depois gorduras e, por fim, carboidratos.
O maior aprendizado que tive a respeito de nutrição foi entender que a individualidade importa mais do que qualquer outra coisa.
A dieta que funcionou para o coleguinha pode não funcionar para você.

Resumo da rotina alimentar
2 – Achado da Internet
O VO2 máximo é um dos principais preditores de longevidade. Juan López tem 81 anos e um VO2 máximo de 53 ml/min/kg. Esse valor é extraordinário para essa idade.
Para colocar isso em perspectiva: meu VO2 é semelhante ao dele, apesar de eu ser décadas mais novo e estar cerca de 50% acima da média da minha faixa etária.
O mais impressionante é que Juan começou a correr apenas aos 66 anos.
Mais uma vez: nunca é tarde para começar.
3 – O que estou lendo
Mesmo sem perceber, gerenciamos riscos o tempo todo. E o motivo é simples: os fenômenos são probabilísticos, não determinísticos.
Graças à trajetória de filósofos e matemáticos ao longo de séculos, a humanidade conseguiu abandonar os oráculos e construir ferramentas modernas de gestão de risco que utilizamos até hoje.
O problema é que nosso cérebro prefere narrativas simples a distribuições de probabilidade. Talvez por isso tantas decisões ruins pareçam óbvias apenas depois que acontecem.
