Quando criança, lembro-me muito bem de quando minha mãe me levava ao pediatra: ele era a autoridade máxima, o que dizia era lei, e nunca me esqueci do livro de capa preta que às vezes abria durante a consulta. De lá para cá, a medicina avançou, a informação se democratizou e a relação entre médico e paciente começou a mudar.
Em “Medicina do Amanhã”, Pedro Schestatsky propõe substituir a medicina reativa, concentrada na doença, por uma abordagem orientada à criação da saúde. O autor apresenta a medicina dos 5 Ps: preditiva, preventiva, personalizada, proativa e baseada na parceria entre médico e paciente. Genética, estilo de vida e tecnologia trabalham juntos para identificar vulnerabilidades e orientar intervenções mais precisas. O objetivo não é substituir o médico, mas transformar uma relação vertical em uma colaboração na qual o paciente assume o protagonismo.
Essa visão se conecta com duas práticas que adotei há bastante tempo. A primeira foi utilizar testes genéticos para personalizar minhas decisões de saúde. Há mais de 12 anos, descobri que metabolizo melhor gordura do que carboidrato, tenho um polimorfismo no gene MTHFR e sou metabolizador lento de cafeína. Com essas informações, ajustei minha alimentação e suplementação, o que contribuiu para manter minha saúde metabólica e controlar a homocisteína.
A segunda foi deixar de terceirizar integralmente minha saúde para o médico. Analiso meus exames de sangue e de imagem e mantenho uma planilha com cerca de 100 marcadores sanguíneos e mais de dez anos de histórico. No check-up anual, levo pontos de atenção, hipóteses e sugestões para discutir com o médico, incluindo medicamentos, suplementos e exames adicionais. Mais recentemente, construí um agente de IA que me ajuda a reunir e interpretar meus dados e a gerir minha saúde como um todo.
A medicina do futuro começa quando deixamos de ser apenas pacientes e passamos a ser agentes da própria saúde.
Até o próximo livro na cesta.