Bem-vindos à edição de setembro de 2026: 664 palavras – 2,4 min.
O médico cuida da sua saúde. E você? A história da Nokia revela os riscos das transições tecnológicas. E entender três tipos de conversa pode transformar a forma como nos conectamos.
1 – Artigo do mês: O médico cuida da sua saúde. E você?
Há algum tempo, quis entender melhor o histórico de saúde da minha família.
Perguntei aos meus pais quais medicamentos tomavam e por quê. Eles não souberam explicar a função de alguns deles. A resposta foi simples: “Porque o médico mandou”.
Com o avanço da medicina e a democratização da informação, a relação entre médico e paciente começou a mudar.
Em “Medicina do Amanhã”, Pedro Schestatsky propõe substituir a medicina reativa, concentrada na doença, por uma abordagem orientada à criação da saúde. Ele apresenta a medicina dos 5 Ps: preditiva, preventiva, personalizada, proativa e parceira.
Nessa abordagem, genética, estilo de vida e tecnologia trabalham juntos para identificar vulnerabilidades e orientar intervenções mais precisas. O objetivo não é substituir o médico, mas transformar uma relação vertical em uma colaboração na qual o paciente também assume responsabilidades.
Há alguns anos, analiso meus exames de sangue e de imagem e mantenho uma planilha com cerca de 100 marcadores sanguíneos e mais de dez anos de histórico.
No check-up anual, levo pontos de atenção, hipóteses e sugestões para discutir com o médico, incluindo medicamentos, suplementos e exames adicionais.
Recentemente, dei um passo além: construí um agente de IA para me ajudar a reunir e interpretar meus dados e a gerir minha saúde como um todo. Eu o batizei de “Gestão Saúde Gustavo”.
A construção foi dividida em quatro etapas.
Primeiro, integrei dados estruturados gerados por diferentes plataformas: meu wearable (Whoop), o aplicativo do meu bike trainer (My E-Training) e minha balança de bioimpedância (Scale Up).
Depois, organizei informações disponíveis digitalmente, mas não estruturadas, como exames de imagem, hábitos, suplementos e medicamentos.
A terceira etapa foi centralizar meu histórico completo de saúde, incluindo testes realizados, discussões mantidas em diferentes ferramentas de IA e informações que ainda não estavam disponíveis em formato digital.
Por fim, criei uma visão geral da minha saúde, dividida em 12 blocos interconectados.
O principal resultado do agente é um documento vivo. Ele reúne informações sobre atividade física, sono, nutrição, composição corporal, suplementos, medicamentos, hábitos, genética e temas ainda em investigação.
Também acompanha indicadores que considero críticos, como VO₂ máximo, massa muscular e ApoB, além de registrar limitações físicas e temas que pretendo investigar no futuro.
O agente não substitui os profissionais que cuidam da minha saúde. Sua função é organizar o histórico, identificar relações entre diferentes informações e me ajudar a formular perguntas melhores.
Acredito que, no próximo check-up anual, conseguirei ser ainda mais protagonista e elevar o nível da discussão com meu médico.
Espero que ele aprecie tanto quanto eu. E que não me expulse do consultório.

Abordagem para estruturação do Agente “Gestão Saúde Gustavo”
2 – Achado da Internet
Quando se fala em smartphones, as marcas que provavelmente vêm à mente são Apple e Samsung. Durante muitos anos, porém, o mercado de telefones celulares foi dominado pela Nokia, que chegou a ter cerca de 40% de participação global.
A empresa foi sinônimo de inovação. Produziu aparelhos com capas substituíveis e esteve entre as precursoras dos smartphones. Eu tive pelo menos dois telefones Nokia.
Com uma história iniciada no século XIX, a empresa atravessou diferentes ciclos tecnológicos. Mesmo assim, seu negócio de celulares não conseguiu responder à transformação provocada pelos smartphones com telas sensíveis ao toque.
A história da Nokia mostra que liderar um ciclo tecnológico não garante relevância no ciclo seguinte.
3 – O que estou lendo
Comunicação efetiva não é sobre falar bem. É sobre conseguir se conectar com o outro.
Para isso, é importante entender que qualquer discussão, na verdade, envolve um de três tipos de conversa.
Há as conversas práticas, focadas em decisões e soluções. Há as emocionais, cujo foco está em como nos sentimos. E há as sociais, que exploram quem somos e como nos relacionamos.
Aprender a identificar e lidar com esses três tipos de conversa pode aumentar nossas chances de nos tornarmos comunicadores diferenciados.
