Março 2026 – Dopanima

No âmbito pessoal ou profissional, realizamos muitas coisas ao longo da vida. Compreender o que nos motiva não é uma tarefa trivial. Por vezes nem nos damos conta disso e seguimos planejando e realizando.

Em “Dopamina: a molécula do desejo”, Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long explicam como a dopamina é o neurotransmissor responsável pelo desejo, motivação e busca por novidades, mais do que pelo prazer. Eles mostram que esse sistema foi essencial para a evolução humana, impulsionando exploração, inovação e ambição, mas também pode nos tornar cronicamente insatisfeitos. Eles diferenciam o circuito da antecipação, movido pela dopamina, do circuito da satisfação, associado ao aproveitamento do presente. Compreender a dopamina permite equilibrar impulso e contentamento, usando o desejo como força construtiva, não como armadilha.

Sempre me perguntei porque eu praticava Triathlon, um esporte com tanta demanda para corpo e mente. 

No início eu achava que era para emagrecer, já que travava uma batalha contra a balança. Aprendi que mesmo treinando 25 horas por semana para o Ironman, isso não garante saúde metabólica. Hoje controlo a ingestão de carboidratos e não como alimentos ultraprocessados.

Também pensei que precisava chegar ao extremo de cansaço para “relaxar”. Mas tive um “surto” e busquei outras formas para lidar com o estresse e a ansiedade. Hoje medito 2x por dia e pratico a filosofia estóica.

O processo das competições tinha um padrão. Planejamento detalhado, execução meticulosa, evolução em todas as disciplinas. Mas ao cruzar a linha de chegada, a curtição era limitada. Logo vinha a pergunta: qual a próxima prova? 

Eu não curtia o presente! Hoje acredito que o grande motivador da minha carreira esportiva foi a dopamina.

O que te motiva?

Até o próximo livro na cesta.