Bem-vindos à edição de novembro de 2026: 578 palavras – 2,1 min.
Jantar atrapalha o sono? A história da Trol resgata brinquedos que marcaram uma geração. E uma tentativa de doar sangue abre uma reflexão sobre o ruído nas decisões.
1 – Artigo do mês: Jantar atrapalha o sono?
Jantar não faz parte da minha rotina. Normalmente, minha última refeição é o almoço.
Recentemente, saí à noite para encontrar um amigo de infância numa pizzaria. Terminamos por volta das 21h. No dia seguinte, meu wearable deu um alerta: frequência cardíaca de repouso acima do meu padrão.
Um dos motivos pelos quais não janto é preservar meu sono e minha recuperação. Já havia observado sinais de pior recuperação em algumas noites após jantar: frequência cardíaca de repouso mais alta e menor variabilidade da frequência cardíaca. Mas faltava uma análise abrangente.
Com os dados históricos do wearable e o apoio do agente de IA que uso na gestão da minha saúde, comparei as noites em que comi nas quatro horas anteriores ao sono com aquelas em que não comi nesse intervalo.
Em 617 noites, comer perto da hora de dormir esteve associado a cerca de 15 minutos a menos de sono reparador, embora o horário médio de início do sono tenha sido praticamente igual. A frequência cardíaca de repouso (RHR) e a variabilidade da frequência cardíaca (HRV) também apontaram para pior recuperação, mas com diferenças menos conclusivas, como mostra a imagem.
Havia ainda outro fator a considerar: faço sauna à noite e, quando saio para jantar, quase sempre deixo de fazê-la. Para investigar essa possível influência, separei as noites com e sem sauna. A análise não mostrou um aumento consistente de HRV associado à sauna.
Esses dados não isolam todos os fatores que podem influenciar o sono, mas reforçam minha decisão: seguirei sem comer à noite como rotina.

Parâmetros de sono e recuperação com ou sem jantar
2 – Achado da Internet
Quem foi criança no Brasil nas décadas de 1970 e 1980 provavelmente lembra de Playmobil, Velotrol, Fofolete ou TCR.
Todos esses brinquedos passaram pela Trol, empresa brasileira que construiu um verdadeiro império. Mas sua história começou com uma pequena fábrica de botões. O domínio da fabricação de peças plásticas abriu caminho tanto para os brinquedos quanto para componentes industriais e utensílios domésticos.
À frente da empresa estava Dilson Funaro, que depois se tornaria ministro da Fazenda e responsável pelo Plano Cruzado. Sob seu comando, a Trol combinou capacidade industrial com parcerias internacionais para trazer ao Brasil brinquedos que marcaram uma geração.
Após sua morte, em 1989, a empresa enfrentou dificuldades de gestão, dívidas e a concorrência dos importados. A falência veio em 1993.
O que chama atenção é como brinquedos tão presentes na memória de uma geração vieram de uma empresa cuja história quase desapareceu.
3 – O que estou lendo
Recentemente, decidi doar sangue, mas fui considerado inapto.
Na triagem, fui informado de uma regra clara: quem teve hepatite após os 13 anos de idade não pode doar sangue. Eu tive aos 23.
Uma regra assim reduz o ruído da decisão: diante do mesmo histórico, diferentes profissionais deveriam chegar ao mesmo resultado. Mas isso abre outra pergunta: qual é o custo de uma regra que também pode excluir potenciais doadores aptos?
Ruído é a variabilidade indesejada nos julgamentos. Ele aparece em sentenças judiciais, diagnósticos médicos e processos de seleção e contratação, quando situações semelhantes recebem avaliações diferentes.
Dependendo de sua magnitude, essa variação pode gerar custos relevantes. Regras, padrões e práticas de higiene da decisão ajudam a reduzi-la.
Mas reduzir o ruído também tem um custo. O desafio é escolher medidas cujo benefício compense o esforço e as limitações que introduzem.
