Insights para Alta Performance – edição outubro 2026

Bem-vindos à edição de outubro de 2026: 809 palavras – 2,9 min.

Acordar durante a noite: a maldição mudou de horário? Dois homens romperam a barreira das duas horas na mesma maratona. E nem toda falha deveria ser evitada.

1 – Artigo do mês: Acordar durante a noite: a maldição mudou de horário?

Desde que me conheço por gente, enfrento desafios para dormir bem.

Com muito estudo, dedicação e mudança de hábitos, fui melhorando a qualidade e a quantidade do meu sono. Isso me trouxe diversos benefícios, desde ganhos cognitivos até a melhora da composição corporal.

Um fato curioso é que eu sempre acordava durante a noite no mesmo horário, entre 02:00 e 02:30. Inicialmente, achava que isso era algum tipo de maldição. Até compreender melhor os ciclos do sono.

Em “Por que Nós Dormimos”, Matthew Walker explica que, ao longo da noite, passamos repetidamente por diferentes estágios, da vigília ao sono profundo e de volta a períodos de sono mais leve. Nesses momentos de transição, pequenos despertares podem acontecer sem que sejam necessariamente percebidos ou lembrados.

Isso também ajuda a explicar por que muitas pessoas vão ao banheiro durante a madrugada. Talvez a vontade de urinar nem sempre seja a causa do despertar, mas algo percebido quando o sono já está mais leve.

Depois que comecei a medir meu sono, percebi que as idas ao banheiro por volta das 02:00 não comprometiam significativamente sua qualidade. Isso me tranquilizou, embora dormir sem nenhuma interrupção continuasse sendo muito raro: acontecia uma ou duas vezes por ano.

Recentemente, durante uma discussão com o agente de IA que me ajuda a organizar e interpretar meus dados de saúde, identificamos duas hipóteses para esse padrão.

A primeira estava relacionada à minha rotina alimentar, na qual a última refeição costuma ser o almoço. Uma eventual queda da glicose durante a madrugada poderia aumentar o cortisol e provocar o despertar. A hipótese perdeu força porque acordo nesse horário desde muito antes de adotar essa rotina alimentar, há menos de oito anos.

A segunda hipótese envolvia o ciclo circadiano. A sugestão inicial foi aumentar a exposição à luz natural ao acordar, mas esse hábito já fazia parte da minha rotina. Resolvi então testar uma exposição mais tardia.

Comecei às 08:30, sem perceber mudanças. Até que, por acaso, certo dia fiz isso mais tarde, por volta de 08:45.

Nas oito noites elegíveis em que me expus à luz natural depois das 08:40, dormi sem o despertar intermediário em quatro delas. Era algo inédito para mim, embora a amostra ainda fosse pequena.

Ao analisar o período completo do teste, apareceu também um possível efeito colateral. Meu despertar final médio ocorreu 23 minutos mais cedo, e a proporção de noites encerradas antes das 05:00 passou de zero para 26%.

Os dados sugerem uma possível troca: menos interrupções durante a madrugada, mas encerramento antecipado do sono. Não permitem afirmar que a exposição mais tardia à luz tenha provocado esses resultados, mas foram suficientes para justificar a continuidade do experimento.

Incorporei essa prática à minha rotina sempre que possível.

Agora, o desafio é manter a continuidade sem encurtar o final da noite. A maldição talvez não tenha desaparecido. Pode apenas ter mudado de horário.

Resultado do teste de exposição tardia à luz natural

 

2 – Achado da Internet

O ano de 2026 entrou para a história do esporte. Pela primeira vez, um atleta completou oficialmente uma maratona elegível para recorde em menos de duas horas.

Na Maratona de Londres, o queniano Sabastian Sawe correu em 1:59:30, venceu a prova e estabeleceu um novo recorde mundial.

Mas algo igualmente extraordinário aconteceu logo atrás. O etíope Yomif Kejelcha também terminou abaixo de duas horas, com 1:59:41. E aquela era sua estreia na distância.

Alguns meses depois, Kejelcha correu a meia maratona de Buenos Aires em 56:51, tornando-se o segundo homem da história abaixo de 57 minutos.

Mais do que marcas isoladas, a sequência chama atenção pela versatilidade: estrear na maratona abaixo de duas horas e, meses depois, completar uma meia maratona em menos de 57 minutos.

https://www.youtube.com/watch?v=KDWqwSq8Xx0&list=PLtvPyA7MOuNbJV_SiXLmRXQSZLclJClnr&index=19

3 – O que estou lendo

Costuma-se dizer que um acidente aeronáutico raramente acontece por um único motivo. Normalmente, uma sucessão de acontecimentos e suas consequências leva o sistema ao colapso.

O acúmulo de erros que desencadeia um acidente é um exemplo de falha complexa. Existem também as falhas simples, provocadas por um ou poucos erros previsíveis. Tanto as simples quanto as complexas são indesejadas e devem ser evitadas.

Há, porém, outro tipo: as falhas inteligentes. Elas ocorrem quando exploramos um território novo, testamos uma hipótese de forma controlada e extraímos um aprendizado que não poderia ser obtido de outra maneira. Experimentos científicos e produtos inovadores frequentemente dependem delas.

O desafio das organizações é evitar as falhas indesejadas sem impedir as inteligentes.

Para isso, o ambiente precisa permitir que erros sejam apontados e discutidos sem receio de punição ou retaliação. Segurança psicológica não significa aceitar qualquer falha. Significa aprender com as certas e evitar que as erradas se repitam.