Insights para Alta Performance – edição março 2026

Bem-vindos a edição de março de 2026: 780 palavras – 2.7 min.

Hábitos específicos podem reduzir o impacto das viagens internacionais na performance. A tocha das olimpíadas de inverno de 2026 tem o conceito “Essencial”, para performar em qualquer condição climática. É possível aproveitar a vida e “morrer sem nada” de forma estruturada.

1 – Artigo do mês: Como reduzir o impacto das viagens internacionais na performance

Executivos globais gerenciam agendas complexas, mas nem sempre priorizam o impacto fisiológico que essas agendas impõem ao próprio corpo.

Viagens internacionais fazem parte da rotina de quem atua em ambientes globais. Mesmo em classes superiores, os horários dificilmente garantem uma boa noite de sono, seja na ida, seja na volta. Adicionalmente, a mudança de fuso horário é um estressor fisiológico relevante, com impacto direto na energia, na clareza mental e na capacidade de decisão.

Existe uma regra bastante difundida: para cada hora de diferença de fuso, o corpo precisaria de um dia para se recuperar. Mas isso realmente se confirma na prática?

Na minha última viagem internacional, fiquei 11 dias fora, com destino quatro horas à frente. Pela regra, eu deveria estar plenamente recuperado quatro dias após o retorno.

Utilizando os dados do meu wearable, observei que levei cinco dias para voltar ao “sinal verde” no indicador de recovery (>67%), critério que adotei, de forma objetiva, como parâmetro de recuperação. Por que cinco dias, e não quatro?

Porque a regra simplifica demais a realidade. Ela não considera, por exemplo, a noite (muito mal dormida, no meu caso) durante o vôo de retorno. Tampouco incorpora outros estressores relevantes, como carga de trabalho, alimentação, atividade física e nível geral de estresse. Fuso horário é apenas uma parte da equação.

Ao longo dos anos, adotei alguns hábitos para minimizar os efeitos e acelerar a recuperação:

A. Sono durante o voo

Relaxante muscular combinado com melatonina pode facilitar o adormecimento. Máscara para os olhos e tampões de ouvido ajudam na manutenção do sono.

B. Ajuste imediato ao fuso

Respeitar ao máximo o horário local, tanto no destino quanto no retorno. Na volta, fui dormir “quatro horas mais cedo” já na primeira noite, antecipando a adaptação. Para diferenças de fuso mais amplas, o ajuste tende a ser progressivo. A melatonina pode auxiliar nesse processo.

C. Priorizar o sono nos dias seguintes

Dormir o máximo possível nos primeiros dias após a viagem acelera a recuperação sistêmica.

D. Retomar a atividade física (ou outros estressores) progressivamente

Primeiro recupere a recorrência, depois o volume e, por fim, a intensidade. Essa progressão ajuda a controlar a carga total de estresse enquanto o organismo ainda está se reajustando. No meu caso, levei três semanas para retornar completamente à rotina anterior de atividade física. Também retornei a prática de sauna de forma progressiva.

Viagens são inevitáveis. Mas a forma como gerenciamos o impacto delas na nossa performance é uma escolha.

Horas de sono e recuperação nos primeiros dias após a viagem

 

2 – Achado da Internet

Os jogos olímpicos são associados a uma competição. Mas, antes disso, se trata de uma confraternização, harmonia e paz entre os países. O símbolo que representa o verdadeiro espírito é a tocha olímpica. A das olimpíadas de inverno de 2026 foi desenvolvida com o conceito “Essencial”, para performar em qualquer condição climática.

https://news.mit.edu/2026/essential-torch-heralds-start-of-winter-olympics-0205

3 – O que estou lendo 

Tive um amigo que usava a frase “nunca vi caminhão de mudança acompanhar cortejo fúnebre”. Era uma referência à questão de acumular bens ao invés de viver a vida. Talvez o caso mais emblemático disso tenha sido o do Jorginho Guinle, que gastou a fortuna que sua família deixou e terminou a vida morando de favor. Dizem que ele errou a conta e viveu demais e sua história até virou filme. Mas é possível “morrer sem nada” de forma estruturada, como @bill perkins explica em seu livro. Ele mesmo é um exemplo de seu próprio método.